terça-feira, 31 de agosto de 2021
Apresentação do kit Xavier
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
PENSAR NAGÔ e(é) Escola de Funk ?
O que Sodré pretende com tal trabalho é colocar um pensamento diante de uma dialogia. Um pensamento no qual se pretende a conversa entre diferentes saberes anulando a régua eurocêntrica de saber. Pois, o autor coloca um pensamento africano que a partir principalmente da religiosidade de matriz africana se reterritorializou nas bandas de cá.
Quando
consegue, por intermédio de elaborações intelectivas e afirmativas, a tradição
negra insere-se historicamente na formação social brasileira para oferecer, em
termos éticos ou religiosos, outra cosmovisão da vicissitude civilizatória do
escravo e seus descendentes. (SODRÉ. 2017:172)
domingo, 20 de junho de 2021
BANJO - Música & Letramento
Estudando um pouco o banjo,
podemos dizer que é um instrumento que está presente nas rodas de samba de todo
o país. Conhecido por aqui como um
instrumento de quatro cordas de corpo redondo, ele é feito com madeira, ferro e couro de animal.
Mas, vamos pensar um pouco também em de
onde ele surge, como é tocado e porque se popularizou nas rodas de samba.
Primeiro vale o destaque de que
isto é o inicio do início de uma conversa sobre o banjo e seu universo na cidade Rio de Janeiro. Porém, é preciso pensar em
como nasce esse instrumento, de onde ele vem. Então, sabendo que o continente
africano é o berço da humanidade, que tudo e/ou quase tudo vem de lá, procurei o irmão Fabio Mukanya (https://www.facebook.com/fabiosimoes.soares)
do projeto África Sonora (busquem essa página nas redes sociais) pra me passar
a visão do ancestral do banjo. Fábio é Músico, escritor, pesquisador e luthier, faz vários instrumentos de diferentes
lugares, países do continente Mãe.
Entre outras coisas, Fábio me
falou que faz o Akoting/Ekoting. Estamos desenrolando sobre um cordofone feito de cabaça e couro com três
cordas e não temperado (não tem casas que dividem/definem notas no braço do instrumento). Não há datas
certas sobre a idade do Akoting. Mas, certamente trata-se de um instrumento
muito antigo que seria um dos ancestrais do banjo afro-americano.
E falando em música afro no
território dos E.U.A., o banjo(ainda não com esse nome) chegou por lá através de vários instrumentos
africanos(ente eles o Akoting)e aos poucos foi se modificando e popularizando. Participando
inclusive da criação de gêneros e culturas musicais negras como o Jazz, o banjo
se afirmava como um instrumento de referência e origem negra. Mas, sofreu
também seu processo de embranquecimento, assim como acontece com alguns ritmos
e instrumentos negros nessa “pátria amada hostil”.
Filosoficamente falando(rs!), pra existir (existência) banjeiro é preciso
ter o banjo(matéria) e os conhecimentos(ideias, razão, informações) técnicos
específicos do instrumento que o músico vai executar no ato em que estiver em
contato com o banjo, existindo como banjeiro!
Mas, antes de tocar o banjo, quem
faz banjo no Rio de Janeiro? Bom a dica que deixo aqui é : procurem o músico e
luthier Marcio Vanderlei nas redes sociais(https://www.facebook.com/Marcio-Vanderlei-395817050498931
). Márcio além de ser uma grande referência na arte de tocar o banjo, também
faz o instrumento. E nada melhor do que quem toca muito pra saber fazer o banjo
da melhor forma possível.
Falando em músicos, quem são
aqueles responsáveis por criar e popularizar o banjo carioca nas rodas de
samba?
Bom, no documentário “Mussum um
filme do Cacildis” de 2019, Augusto
Gomes(filho de Mussum), fala que seu pai ao ver um dos grupos musicais do festival
de música na França com um banjo do tipo afro-americano teve a ideia de pensar
aquele instrumento sendo usado nas rodas de samba. Então, “ele comprou o banjo chegou pro Almir Guineto e falou Almir toma aqui,
toca isso aqui, e eu lembro que ele botou isso em um dos LPs dos Originais e daí
o banjo entrou no samba”.
Assim, o banjo chegaria aqui em território brasileiro e
ganharia o braço de cavaquinho e a forma de tocar diferenciada através das ideias
de Mussum e Almir Guineto. Seriam esses os responsáveis pela adaptação do corpo de
banjo afro-americano para a “criação do banjo” para o samba! Há quem diga que o banjo já havia sido tocado antes por aqui. Mas, fato é que o Instrumento que passou rapidamente a ser considerado também um instrumento de percussão, pela importância da batida diferenciada, com seu som de maior alcance do que o cavaquinho quando tocados acusticamente sem amplificação, ganhou destaque nas rodas de samba pelo timbre grave e pelo não quebrar das cordas com a mesma facilidade que as do cavaquinho, além das formas de tocar dos músicos.
Por tudo isso, no processo Música
& Letramento o banjo é um dos instrumentos principais. Pois, ele é melodia,
harmonia e ritmos, instrumento símbolo de resistência da música negra, africana
tanto na terra mãe quanto nas diásporas. Tanto que nas bandas de cá,
principalmente através da cena musical do samba e pagode do Rio de Janeiro o banjo
se espalhou.
#banjo
#musicaeletramento
#escoladefunk
#livroxavier
quarta-feira, 12 de maio de 2021
DIA 13 DE MAIO?
Para falar do
dia 13 de maio de 1888, precisamos voltar um pouco mais no tempo!
Falar de um pouco antes de 1500, quando os portugueses, homens brancos europeus sequestraram os yorubas, os bantos...
Vários povos africanos !
Filhos ficaram sem mães, sem pais...
Para “trabalharem”
como escravizados, sem salário?
Em um discurso branco de economia e paz.
Apanhando... vendidos, assassinados...
Assim chegaram
os povos da África mãe continente, na terra chamada hoje de Brasil onde a
situação não era nada contente.
Foram anos e anos de luta, resistência, batalhas...
Os escravizados eram utilizados como
força de trabalho.
Por serem especialistas
em mineração, agricultura...
Mesmo forçados
não deixaram de lutar e trouxeram pra cá sua própria cultura
O Brasil antes da Abolição era quase uma explosão de lutas de indígenas, africanos e seus descendentes.
Contra a escravização e a vacilação vigente “Centenas de revoltas pipocavam em todo o país” !
Era o povo
escravizado lutando por liberdade, buscando ser feliz!
Dessas lutas e revoltas surgiam cada vez mais leis. Entre elas:
Lei do Ventre Livre(1871) e dos Sexagenários(1885).
E o povo? Seguia sua luta mais uma vez. Até que de tanta pressão:
A lei Aurea é assinada! “abolindo a escravização”?
E o que será que foi feito depois? Nada? Nenhuma ação governamental foi tomada.
O fim dessa
história não é muito maneiro. Pois, logo depois nada foi feito para que o
ex-escravizado virasse cidadão brasileiro!
E o descendente do ex-escravizado?
Segue sendo marginalizado?
Segue o luto!
Segue a luta!
Segue o eterno 14 de maio?
Texto: Carlos Carvalho
Fonte: Livro "Nós" do Brasil da autora Roseane Rodrigues
segunda-feira, 29 de março de 2021
#escoladefunk - Abraça o papo aí!
#escoladefunk - Abraça o papo aí!
O lundu foi uma das primeiras danças afro-brasileiras a despertar o interesse dos viajantes europeus. Primeiramente, ele foi considerado imoral por causa de seus movimentos, da umbigada: Homem e mulher entrelaçavam os quadris e se tocavam com o umbigo. Mais tarde, o lundu foi atenuado e difamada umbigada foi substituída por um contato apenas insinuado, inspirado no fandango: os dançarinos não entrelaçavam mais os quadris, mas giravam com os braços levantados um de frente para o outro. Assim o lundu passou a ser aceito também pela classe média branca e, aos poucos, foi conquistando espaço nos salões. (NEGWER, 2009: 31).
Sobre o funk suburbano, Vianna defende que o mesmo é uma festa que
se basta, que não serve para nada, não faz sentido fora de si mesmo. Não gera
identidade étnica ou racial, não serve para formar novas amizades, valoriza a
violência como mecanismo desencadeador de euforia e êxtase, não produz um funk
brasileiro comercialmente dinâmico, não reatualiza a memória coletiva popular e
negra das favelas e subúrbios cariocas, não faz critica social.
1.
NEGWER, Manuel. Villa-lobos:
o florescimento da música brasileira. São Paulo. Martins Martins Fontes.
2009.
2.
FERNANDES, Otair; SILVA,
Edna Inácio Silva e.(org). Frutos da terra: sambas e compositores
iguaçuanos. Rio de Janeiro, UFFRJ/Evangraf, 2013.
3.
CADERNOS CEDES. Educação,
adolescência e culturas juvenis: diferentes contextos. São Paulo. Cortez.
2002.
domingo, 15 de novembro de 2020
M&L, Xavierzin e Escola de Funk on-line
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Escola e comunidade escolar - Pprt Educação 2
Nos
dias de hoje pensar escola e comunidade escolar é importante pra
caramba para aumentar os jeitos de evitar vacilação na prática docente, na vida de educador/a. Pois, sendo (ou devendo
ser) a escola o lugar, o símbolo (semiótica) da educação formal, e a
comunidade escolar uma pequena amostra da sociedade, estamos na verdade falando de educação e sociedade. Ser educador/educadora e não pensar/estudar/pesquisar/refletir
e nem trazer para discentes o mínimo sobre essas ideias pode nos deixar cada vez
mais distantes de atitudes educativas comprometidas com uma não excludente, não preconceituosa, decolonial.
Mas,
pra continuar esse papo precisamos saber que a
escola é o lugar determinado do
sistema social onde se reconstitui o movimento de produção do conhecimento, mas
sempre como um efeito das relações de classe. A língua nacional ensinada na
escola não escapa ao jogo das diferenças de classes, na forma de conflitos
linguísticos (práticas contraditórias da linguagem), disfarçados pela suposta
uniformidade do idioma pátrio. (SODRÉ. 2012: 25)
Bora
pensar na ideia de escola aqui apresentada? Sodré tá colocando na nossa cara aí
a escola como reprodutora das desigualdades sociais. Em outros termos, seria
uma escola cheia das vacilações – isso se a gente pensar essa história de que
desigualdade social é herança de uma invasão aí que teve por aqui tem uns 500 e
poucos anos, mais ou menos. Vocês concordam com o professor Muniz Sodré? Caso
sim, é essa escola que vocês “querem
estar atuando” (seja como docente, tia/tio da cantina, merendeiras e merendeiros, auxiliares de
limpeza e serviços gerais, porteiro/a, discente, equipe de gestão, secretariado, responsáveis de educandos)?
Bom,
enquanto a gente pensa a definição de escola como reprodutora das desigualdades
sociais já vamos avançando no desenrolo pra entender legal a comunidade escolar. Galera, comunidade
escolar é noixxxx! Geral! Tipo, todos/as que foram citados/as entre parênteses no
parágrafo anterior, se ligô? Vou copiar e colar aqui:
(...)docente, tia/tio
da cantina, merendeiras e merendeiros, auxiliares de limpeza e serviços gerais,
porteiro/a, discente, equipe de gestão, secretariado,
responsáveis de educandos (texto do final do parágrafo anterior, se ligô? Rs!)
Desenrolado
aí o que é escola e comunidade escolar, bora seguir. Mas, não dá pra continuar
sem relembrar o que é educação e já
que a conversa é sobre escola também é preciso saber o que é ensino formal.
Sobre
educação Brandão(2013) vai dizer que a é a forma usada pelo ser humano “para
formar guerreiros ou burocratas”. E Paulo Freire já vê como
um jeito de interferir no mundo que tanto pode manter a ideologia dominante quanto
pode ser contra essa ideologia. Mas, para nós? O que é educação? Pensemos e vamos
seguindo. Já para ampliar um pouco mais basta dá uma chegada nesse link :
https://carloscarvalhomel.blogspot.com/2020/01/pprt-educacao-pra-quem.htm
Adiantando
aqui, quem acessou o link entendeu que o conceito, a ideia de educação (escolar)
exposta por Brandão(2013) significa a
reprodução das aprendizagens sociais. Tipo assim: a educação tá no mundão e
quando começa a pensar espaços próprios surge a escola e a pedagogia. E, se tem
escola e pedagogia (ciência da educação), tem também ensino formal ou educação
formal.
Maneiro,
conceituamos escola, educação, pedagogia, ensino formal ...
Mas,
na prática o que fazer com essas informações?
Bora
lá gente! Vamô junto desenrolar agora o seguinte: Chegou a hora de tomarmos uma
decisão. O que fazer com tudo isso na prática depende de que decisão a gente vai
tomar. Num papo bem reto e breve, sem grandes “teorizações”, já deu pra se
ligar a educação serve para “formar guerreiros ou burocratas” e/ou para manter ou ir contra uma ideologia
dominante ou a favor da mesma. Aí alguém pode meter um “E daí?” Rs! Pode ! Pode sim! Mas, vamos mentalizar umas
coisas! Quem é guerreiro na sociedade de hoje e quem é burocrata? O que pode ser a ideologia dominante na
sociedade de hoje? Pensemos educadorxs!!!
Depois
de pensarmos bastante aqui, poderíamos, por exemplo, nos decidir por ter um
compromisso com ações educativas comprometidas, não preconceituosa, decolonial...
Nesse
pik! Vou jogar uma lanterninha aqui mas
procurem saber. Se liga! Porque
Persiste ainda hoje a utopia civilizatória da
Europa. Após cinco séculos de colonização da América, os europeus - diretamente
ou por meio das elites nacionais mediadoras, atualmente secundadas pelas elites dos meios
de comunicação – continuam reproduzindo
o discurso de enaltecimento de seus valor universalista como garantia da
colonialidade do poder.(SODRÉ 2015: 38)
Depois da afirmação de Paulo Freire sobre educação e dessa explicação
de Sodré sobre colonialidade do poder da pra entender, pensar, relacionar,
perceber quem faz o currículo do ensino formal e pra que ele é feito? Aí, é só ler mais um pouquinho(quanto mais
melhor) e fundamentar as práticas. Se tiver atento/a, na atividade, uma vez que a pessoa formada em pedagogia é
cientista educacional, vai buscar cada vez mais para minimizar os vacilos e
andar de acordo com uma educação que não fortaleça esse modelo de sociedade que
estamos “assistindo” agora. Ah ! Mas
para a escola não ser excludente e ser decolonial ela precisa de pessoas que
pensem(ou procurem pensar) e tenham ações de acordo. Certo? Certo!
Exemplo simples? Muitos educadores e educadoras e escolas por
todos os lugares do mundo continuam dando folhinha, capas de provas e outros “trabalhinhos”
quase que 100% para discentes pintarem um desenho pronto. Legal! Mas, já parou
pra pensar que o mundo não está pronto? Que a sociedade está em constante
mudança? Que pode e deve entregar uma folha branca, vazia? Tem uma galera
querendo manter umas tradições e outras querendo caminhar e aprender com o novo
(isso é papo de sociologia, sujeitos de identidades) e no meio disso tudo tem a
escola. E é aí que a gente, o nosso corpo, a nossa fala, a nossa prática, nosso
estudo, nosso embasamento entra. Exemplo vivo disso está aqui:
https://carloscarvalhomel.blogspot.com/2019/09/eugenia-e-monteiro-lobato-literatura.html
Tem gente querendo manter a leitura de um famoso escritor sem
repensar as práticas desse escritor. “Ah tu quer cancelar o M...” Não precisa
cancelar. Faz a leitura crítica com a molecadinha! Mas, deixar ler e deixar passar batido não dá! Clica aí no
link pra se ligar no papo!
E outra! É dever da nossa profissão, repensar as paradas
direcionadas pra educação! Por isso,
vídeos como o do link abaixo são necessários!
https://carloscarvalhomel.blogspot.com/2020/09/xavierzin-em-independencia.html
Datas comemorativas!!! É tenso! Sempre tenso. Quase sempre homenagens,
comemorações, muita festa... e reflexão sobre o tema da data? Dia da independência,
dia do índio, dia das mães, dia do... GENTE!!! Vai passando tudo batido sem
reflexão nenhuma e com pinturas prontas? Calma! Se nós não começamos a fazer o
debate das datas em sala de aula, dá pra começar agora! Sempre é tempo! Se sua
próxima aula e depois que você ler esse texto, vai lá! Chama a molecadinha nas
conversas! Pergunte, queira ouvir estudantes, saber o que pensam!
Durante muito tempo várias versões e visões muito parecidas de uma
mesma história foram e continuam sendo contadas. Vamos aproveitar outras
narrativas para repensar o processo? Ou vamos continuar fingindo que outras narrativas não existem?
A escola, aquela do ensino formal, da educação que criou a
pedagogia, precisa ouvir e orientar,
trocar ideias com sua comunidade escolar sobre os tempos atuais para decidir se
a identidade do seu projeto Politico Pedagógico vai formar guerreiros ou
burocratas? Pois,
A falta de
escuta ou de acolhida à inquietação do estudante, assim como a falta de respeito
à diversidade de saberes dispostos no horizonte do educando, é um obstáculo ao
mesmo tempo técnico e ético ao advento da criatividade no interior do processo
educacional. (SODRÉ. 2012: 152)
Então “tropa”, o chamado é para a criatividade docente, para a
ética, o respeito. Se não fazemos, que tais praticas comecem agora! Se já
fazemos, precisamos continuar! Uma boa
citação do grande escritor Lima Barreto pra pensar tudo isso é “o Brasil não tem povo,
tem público”. Queremos ter/ser povo ou público? Essa educação que temos na
mão(temos?) é pra quem? E, pra terminar, a escola reflete na comunidade escolar ou
a comunidade escolar reflete na escola? Bora reinventar?!
Referências:
1.
SODRÉ, Muniz. Reinventando
a educação: diversidade, descolonização e redes. Petrópolis, RJ. Vozes.
2012.
#musicaeletramento
terça-feira, 8 de setembro de 2020
Xavierzin em: INDEPENDÊNCIA ?
Xavierzin
dessa vez vai propor pra gente um questionamento importante. Baseado em vários
cientistas sociais, historiadores, estudantes, filósofos e pesquisadores do tema, o menino
quer mostrar essa outra visão sobre a independência do país chamado Brasil, a
formação da nacionalidade e o que é ou pode ser a identidade de brasileiro.
Se liga aí nas fontes e citações:
Começando
pelo site https://teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-23012015-092503/pt-br.php no qual
encontraremos a dissertação de
mestrado de Paulo de Vicentis. O trabalho
intitulado Pintura histórica no Salão do
Centenário da Independência do Brasil traz no resumo a questão de branqueamento
e de uma predomínio da cultura europeia. Vejamos:
O centenário da independência do Brasil,
comemorado em 1922, mostrou-se uma oportunidade excepcional para as elites
brasileiras exporem projetos de identidade nacional, de predominância europeia,
no que diz respeito à cultura, o que inclui considerações racistas, e de
manutenção da estrutura social, calcada no capitalismo liberal. O presente
trabalho tem por objetivo investigar como tais projetos impactaram as
exposições, congressos, e outros eventos comemorativos. A Exposição
Internacional e os congressos de História do Brasil e Internacional de
Americanistas mostraram um país inserido na economia mundial, buscando os fatos
e os personagens fundadores da nacionalidade, interessado em se aproximar dos
demais países do continente e que considerava a miscigenação uma aliada para
promover o branqueamento da população. O estudo também se volta ao mecenato
estatal, cuja intenção de adquirir quatro quadros de assunto histórico,
relacionados aos acontecimentos de 1822, estimulou alguns artistas a retomar a
produção de tal gênero de pintura, porém algo distanciados dos cânones
acadêmicos e incorporando questões e discursos em pauta naquele momento
histórico. O juri encarregado selecionou, para aquisição, as obras: Sessão do
Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque; Primeiros sons do Hino da
Independência, de Augusto Bracet; Tiradentes, o precursor, de Pedro Bruno;
Minha terra, de Hélios Seelinger. Os eventos retratados, apesar da presença de
personagens históricos, abordaram o direito de voto à mulher; a revisão do
período monárquico e da figura de Pedro I; a trajetória do país de 1500 a 1889,
sob a perspectiva da miscigenação e do branqueamento; o papel do Estado,
enquanto instância de repressão.
Quando o menino
Xavierzin coloca “empresários” na sua história, mas especificamente refere-se
aos empresários ruralistas historicamente participaram do genocídio dos povos originários
consoante afirma a dissertação de mestrado da Universidade de Goiás de Adenevaldo
Teles Junior intitulada O genocídio indígena
contemporâneo no Brasil e o discurso da bancada ruralista no Congresso Nacional(TELES
JUNIOR. 2018). Vejamos um trecho:
Os
colonizadores desconsideravam por completo as territorialidades indígenas,
traçando e implementando políticas localizadas de demarcação pela ocupação e
apossamento da terra e dos recursos naturais tidos como res nullius - coisa de
ninguém - fundados no então vigente direito de conquista (DANTAS, 2011, p. 6).
O sistema produtivo colonial também foi responsável pelo processo de
assimilação cultural que marcou profundamente as populações colonizadas. Apesar
da pluralidade de povos, línguas e culturas próprias, na medida em que houve a
expansão da exploração territorial, o pensamento eurocêntrico se estendeu de
forma hegemônica3 .
Dentre as questões de
demarcação e genocídio também está exposto aí no mesmo trabalho o racismo e o
epistemicídio. Pois, uma outra visão da história nacional consistindo numa
organização do pensamento, da reflexão sobre a não romantização da história se
faz necessário ao alcance de todos! Há várias defesas sobre esse papo! Vamos
ampliando, atualizando aqui de acordo com as leituras!
Referências:
TELES JUNIOR, A. O genocídio indígena contemporâneo no Brasil e o
discurso da bancada ruralista no Congresso Nacional. 2018. 157 f. Dissertação
(Mestrado em Direito Agrário) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2018.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Live com @awaeducadoras - M&L
No dia 28 de agosto fui convidado pela
equipe @awaeducadoras (no Insta) para desenrolar um pouco sobre as práticas do processo/projeto
Música & Letramento diante da escola(ambiente formal de educação). Penso ser muito importante essas trocas. Pois, são
pessoas comprometidas com a intencionalidade de uma educação sem exclusão,
antirracista.
Pra início de conversa a educadora Camila da equipe Awaeducadoras se
apresentou e apresentou a equipe do @awaeducadoras com as profissionais
Caroline Sotero, Graziele e pediu que eu também fizesse minha breve
apresentação. Escolhi o texto Sobre o autor publicado no início do livro Música & Letramento – literatura afro-brasileira (Carvalho.
2018).
Na sequência o foco do desenrolo foi minha trajetória na música, meu início do processo de alfabetização e letramento, diante da literatura, funk, educação. E a junção de música e educação no desenrolo de trabalho(no contexto profissional) no qual se sustenta a leitura e escrita de um inquieto funkeiro, pagodeiro, sambista, educador, escritor.
Seguimos no desenrolo(da
live do insta) entre histórias de vida, teorias e práticas educativas sobre
música negra, identidade, ancestralidade, circulação pela cidade e o compromisso de educadoras e
educadores. Agradecendo muito a troca, a educadora Camila pelo papo e as
educadoras Carol e Grazi da equipe @awaeducação e toda galera que chegou junto
na live. Não viu? Assite
aí ! Clica no link, na imagem !
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
MÚSICA? no PPRT !
Há
vida sem música? Como começou toda essa organização do som em tradução de
sentimentos? O que é música afinal de contas?
Pretendemos
aqui um rápido desenrolado com algumas referências para pensar a música e a relação
dela com a vida. Podemos começar por você. Sim você que agora me lê! Pense aí
pra responder: O que é música pra você? Anote num papel se preferir. E ao
terminar de ler esse texto pode ver o que escreveu e/ou redefinir.
Bom,
pra começar, Roberto Bueno (2011), no seu livro Cavaquinho e Banjo (método)
define nosso tema afirmando que ela “é a arte de manifestar os diversos afetos
de nossa alma mediante o som”. Já no livro Palavra Cantada “A música é uma
linguagem que utiliza sons e silêncios para expressar e comunicar”(LEVY, 2010:
16). E para mais uma referência, Teca Alencar, professora da USP em seu
trabalho intitulado Música na Ed. Infantil(2003) amplia. No plural, músicas “são
expressões sonoras que refletem a consciência, o modo de perceber, pensar e
sentir de indivíduos, comunidades, culturas, regiões, em seu processo
sócio-histórico”(BRITO, 2003: 28). Mas aí, no papo reto, a ultima visão está
ampla, relacionando música não só a palavra som, mas também ao que as ondas
sonoras podem representar, se ligô?! Mas, tipo, quando Bueno fala da
manifestação de afeto da alma, ele fala pouco, mas chega junto também. Mais
direto e “menos afetuoso”(Rs) foi Levi(2010). Só que falou da música como
comunicação e trouxe também a palavra silêncio, uma das paradas que não podem faltar
pra organização musical.
Avançando
no desenrolo, depois das definições que já rolaram, é possível dizer que a
música é combinação de som e silêncio que representa sentimentos? Sei lá!
Dependendo que tem está lendo. Vai vendo! Rs
Tipo:
para um escritor a música é uma parada, para um professor já pode ser outra.
Música pode ser matemática na escrita, razão no registro e emoção na execução? Para um
compositor é outra visão. Isso dependendo de como quem compõe lê o mundo, tá
ligado?!
Mas,
vamô aí abraçar o papo do professor Muniz Sodré pra ver qual é. Trazer agora um
papo mais direcionado para onde nasceram os ritmos do mundo. Tá ligado que
vamos falar do continente africano, afinal de contas vem de lá os primeiros
seres humanos. A origem da humanidade. E, se o surgir da música pode estar na observação da combinação de sons e silêncios
da natureza pelos primeiros seres humanos...
Os
inícios de desenrolados que Sodré vai fazer a gente pensar é na diferença da
relação. Tipo:
No ocidente, com o
reforçamento (capitalista) da consciência individualizada, a música, enquanto
prática produtora de sentido, tem afirmado a sua autonomia com relação a outros
sistemas semióticos da vida social, convertendo-se na arte da individualidade
solitária. Na cultura tradicional africana, ao contrário, a música não é
considerada uma função autônoma, mas uma forma ao lado de outras – danças,
mitos, lendas, objetos – encarregadas da acionar o processo de interação entre
os homens e entre o mundo visível (o aiê, em nagô) e o invisível (o orum).
(SODRÉ, 1998: 21)
O
professor tá orientando uns desorientados aí no sentido de dizer que a música
não é sozinha, assim como sozinho ninguém faz nada(mesmo com a sociedade tal
qual se apresentando de modo contrário). A rapaziadinha, a tropa, já se ligou.
Tanto que a prática no rap, no samba, no jongo, no funk e em vários outros
gêneros musicais negros pelo mundo começam com uma galera fazendo,
movimentando(movimento funk, movimento hip-hop). Tem vários exemplos. Mas, quer
ver um bolado?! A molecada do passinho do funk no RJ! É roda, é foda! É mete
dança como se diz na Bahia! E, vai além. Porque os DJs fazem o som pensado no movimento do corpo
assim como dançarinas/os criam movimentos
para determinados sons. Aí tu lembra das práticas musicais atuais fora do
contexto da cultura negra, por exemplo. Aquelas caozadas né?! Rs Repara aí bem
pra ver se não é fundamento o papo. E, só pra confirmação,
Na
cultura negra, entretanto, a interdependência da música com a dança afeta as
estruturas formais de uma e da outra, de tal maneira que a forma musical pode
ser elaborada em função de determinados movimentos de dança, assim como a dança
pode ser concebida como uma dimensão visual da forma musical.(SODRÉ, 1998:22)
Papo
dado né? Porém, se ainda não se ligou tem mais: Tipo, “segundamente”(Rsrs), ou
não necessariamente nessa mesma ordem, o som
cujo, o tempo se
ordena no ritmo, é elemento fundamental, nas culturas africanas. Isto se
evidencia, por exemplo, no sistema gêge-nagô ou ioruba, em que o som é condutor
do axé, ou seja, o poder ou força de realização, que possibilita o dinamismo da
existência.(SODRÉ, 1998: 20)
Eita!!!
Aulas agora!!! Já da pra ficar mec, suave! Pois, se em solos do continente Mãe
e em diásporas o som, organizado no ritmo é axé, música é vida!
Aos
nossos/as ancestrais todas as lutas que nos fizeram chegar até aqui; aos/as mais velhas/os; Toda rapaziada, tropa, massa,
sangue bom, relíquia que compõe o funk RJ; Galera do samba e do pagode, do
jongo da pista e a molecadinha meu máximo respeito! Vocês são a grande
referência do processo! TMJ !
Até aqui é isso! Vamos desenrolando!
Mais Referências:
1.
SODRÉ, Muniz. Claros
e escuros: identidade, povo, mídia e cotas no Brasil. 3ed. Petrópolis, RJ.
Vozes. 2015.
2.
SODRÉ, Muniz. Pensar
nagô. Petrópolis, RJ. Vozes. 2017.
3.
SODRÉ, Muniz. Samba,
o dono do corpo. 2ed. Rio de Janeiro. Mauad. 1998.
4.
LEVY, Gabriel. O
livro de brincadeiras musicais da Palavra Cantada, volume 3. São Paulo.
Editora Melhoramentos. 2010.
5.
BUENO, Roberto. Cavaquinho & banjo.
Jundiaí, SP. Keydbord Editora Musical. 2011.
6.
BRITO, Teca Alencar de. Música
na educação infantil. São Paulo. Petrópolis. 2003.









